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Pedro Braiti
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Sistemas autônomos

ecoAIx

Achar, dentro de uma prancha de projeto elétrico, onde está cada componente — e fabricar o conjunto de treino que ensina isso, porque anotar à mão não escala.

Do projeto

4 classes

com a caixa já calculada da geometria do símbolo, não desenhada à mão

Condição
chave seccionadora, disjuntor, para-raio e TC · a caixa se expande por tipo, e exemplo que sai do quadro é descartado
Papel
Autor, dentro da prestação de serviço
Contexto
Ecotechne — prestação de serviço
Período
2025 – 2026
Situação
Protótipo funcional · detector rodando e gerador completo
O diagrama como ele chega
O diagrama como ele chega
O mesmo trecho depois do detector, com cada componente marcado por tipo
O mesmo trecho depois do detector, com cada componente marcado por tipo

O problema

Projeto de subestação vive em prancha: um diagrama unifilar com dezenas de símbolos repetidos — chave seccionadora, disjuntor, para-raio, transformador de corrente — ligados por fio. Para um computador ler esse projeto, o primeiro passo é o mais bruto: saber onde, no desenho, está cada componente. É o que as duas imagens acima mostram.

Isso é detecção de objeto, e detecção de objeto precisa de exemplo anotado. Aí está o gargalo: anotar prancha à mão é caro e lento, e quem sabe fazer é engenheiro.

A parte que deu trabalho não foi o detector

Foi fabricar o conjunto de treino. Escrevi um gerador que desenha diagrama unifilar sintético e entrega a anotação junto — quem desenhou o símbolo sabe exatamente onde ele está.

O que ele faz, em ordem:

  • Grade distorcida. Cada linha e coluna recebe um deslocamento aleatório, para o modelo não aprender que fio é sempre reta perfeita de um pixel.
  • Caminho aleatório traça o circuito principal e as ramificações, com número de gerações e limiar de fusão controlados.
  • O componente substitui um trecho de fio em vez de ser colado por cima, com probabilidade fixa — assim a topologia continua fazendo sentido elétrico.
  • Aterramento só em ponta solta, e sempre apontando para fora do circuito.
  • Espessura de traço varia por terço do lote, porque prancha real não tem uma espessura só.

A parte de que eu mais gosto é a caixa delimitadora. Ela não é o retângulo do trecho de fio: cada símbolo transborda o fio de um jeito diferente, então a expansão é por tipo — a chave cresce para caber a lâmina que abre; a chave motorizada calcula o braço do motor mais o texto, e espelha conforme a variante, porque o motor pode sair para qualquer um dos quatro lados. Se a caixa acaba fora do quadro, o exemplo é descartado em vez de virar anotação errada.

São quatro classes, e a saída sai em COCO, que o treinador consome direto.

O irmão que rodou ponta a ponta

Do mesmo trabalho saiu um segundo sistema, esse fechado: ler o carimbo da prancha, o quadro de identificação com autor, revisão, cliente e número do documento.

Ele acha o carimbo com um detector rodando na própria máquina, recorta, e só então manda o recorte para leitura — em dois passos, um que descreve e outro que decide se está conforme, com o custo em dólar contabilizado por lote. Seis PDFs, onze páginas, 219 segundos, ponta a ponta.

O código é hexagonal de verdade — domínio, aplicação e adaptadores separados —, o que permitiu trocar a etapa de leitura sem tocar na regra. E o ambiente de inferência desliga sete modelos que vêm ligados por padrão e nunca são usados, para não baixar gigabyte à toa.

O que eu não posso mostrar

O material real são pranchas de subestação de transmissão. Elas identificam a concessionária, a instalação e o engenheiro responsável — não vão para o portfólio, nem recortadas. As imagens aqui são de um diagrama de exemplo, sem cliente, e tudo o que eu mostro do gerador é sintético por construção.

Pelo mesmo motivo, o número que fecha este case é sobre o gerador e não sobre a precisão do detector. E aqui a explicação é estrutural, não descuido: o gerador era código versionado, o treino era arrastar arquivo numa ferramenta de fora, e nenhum passo daquele caminho trazia resultado de volta para o repositório. Ficou a lição — se a avaliação mora fora do versionamento, ela não existe seis meses depois. Prefiro não ter número a ter um que eu não consigo dizer de onde veio.